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(Construa os seus)
Pedais de efeitos para guitarra


        Além de amplificadores valvulados, pode-se também construir pedais de efeitos. O material disponível na web é vasto, e cobre deste projetos prontos a clones de pedais clássicos, modificações, páginas de links, amostras do som (como o Tone Frenzy) e vendas de pedais completos ou partes (kits) ou ainda componentes. Adotei, nos pedais que construí, alguns projetos expostos na General Guitar Gadgets. Comprei os componentes na Mult Comercial, na rua dos Timbiras, travessa da Santa Efigênia, em São Paulo. Nem todos os componentes estão disponíveis, e com isso tive que importar alguns diretamente da Small Bear Electronics. O Steve é  atencioso e envia o material rapidamente. Recebi minha encomenda em exatamente uma semana! Ele fala um pouco de espanhol, portanto pode-se arriscar escrever diretamente em português para ele (eu escrevi em inglês). Foi necessário escrever para ele, pois a compra diretamente pela página não permite pedidos do exterior. Outra pequena desvantagem é que ele aceita pagamentos somente pelo PayPal.



        Como pode ser visto na figura acima, construí 8 pedais. Fica mais barato fazer vários simultaneamente, pois os componentes são semelhantes e com isso consegue-se alguma economia. Usei chaves DPDT, que são mais baratas e mais resistentes do que as 3PDT. A desvantagem desta chave é que deve-se optar em ter um verdadeiro by-pass (true by-pass) sem led de aviso, ou então um by-pass não verdadeiro, mas com led indicativo de ativação. Eu optei pelo true by-pass. Maiores detalhes sobre as ligações destas chaves encontram-se na página do General Guitar Gadgets (Tech pages - Switching and Wiring). Outra dica importante é tentar, se possível, encontrar material reciclado (capacitores, resistores, diodos). Dá um trabalhão separar todos os componentes, mas no final compensa. A economia é substancial. Comprei 3 kg deste material por 20 reais, na Rua dos Timbiras.

        Não vou explicar os projetos eletrônicos, já que todos eles são plenamente descritos na página do General Guitar Gadgets. Eu construí os seguintes pedais:

  1. Brian May Treble Booster (booster),
  2. Dynacomp (compressor),
  3. Orange Squeezer (compressor),
  4. Tube Screamer (distorção),
  5. Slow Gear (um inversor de envelope - baixo ataque, alto delay),
  6. Jen HF Modulator (gerador de ruído),
  7. Tycho Brahe Octavia (gerador de oitavas),
  8. Stage Center (reverber).

        Destes, somente o Jen HF Modulator não produziu um som agradável, mas talvez isso se deva ao instrumento utilizado no teste. Todos os outros funcionaram perfeitamente.

       As caixas para acomodar a eletrônica podem ser encontradas em casas comerciais, como a já citada a Mult Comercial. Existem caixas em alumínio moldado, em chapa de aço e de plástico. As duas primeiras são relativamente caras, comprometendo o orçamento de alguém que queira fazer 8 pedais. Portanto, decidi que seria melhor que eu mesmo fizesse as caixas em alumínio. O resultado fiou bom, e ficaria ainda melhor se eu as tivesse pintado. É claro que precisei comprar uma chapa inteira, mas, como disse no projeto do amplificador Vox, sobrou material para mais uma dúzia de pedais e pelo menos mais dois amplificadores. Vamos aos projetos então, separados em Circuito Impresso, Caixa, Montagem, Painel e o Custo.

O circuito impresso

       É bastante comum hoje a produção caseira de circuitos impressos. Várias páginas na web fornecem dicas e informações sobre o processo de manufatura de um circuito impresso caseiro. Alguns bons exemplos são a Handmades (veja o projeto de amplificador Hi-Octane naquela página) ou o Jeffo, mas há vários outros.

       Todos os esquemas mostrados no General Guitar Gadgets possuem face simples, e os "layouts" dos circuitos impressos são apresentados lá.


Caixas

        Como já disse, preferi fazer minhas próprias caixas a comprá-las prontas. Dá bastante trabalho, mas custam 10 vezes menos do que aquelas já prontas. Para um serviço manual, a chapa de alumínio é mais fácil de ser trabalhada, além de ser esteticamente mais bonita e ter durabilidade praticamente eterna. O inconveniente é o preço da chapa, mas as vantagens compensam. Eu decidi comprar uma chapa inteira (135 reais) de alumínio de 1,5 mm de espessura, com 2 m por 1 m. Utilizei mais ou menos 1/8 da chapa para fazer todos os pedais. Tenho, portanto, material para fazer mais pedais ou amplificadores. Embora o alumínio seja de fácil manuseio, ainda assim requer ferramentas especiais para um bom acabamento, e isto não é fácil de se conseguir. É fundamental contar com uma guilhotina para corte, uma dobradeira mecânica de chapa e uma furadeira de bancada. Fiz os furos com brocas de diversos diâmetros, e usei um conjunto de limas de ferramenteiro (aquelas limas bem pequenas) para fazer rasgos especiais, como o do conector de alimentação externa, (no formato de 0), e do rasgo para a chave DPDT. Usei também uma micro-retífica com fresa limadora sempre que possível para acelerar a preparação dos rasgos. Os furos devem ser feitos antes de se dobrar a chapa, embora possam ser feitos posteriormente. Além disso, pode-se efetuar os furos simultaneamente em todas as placas, no caso de se fazer vários pedais, e desde que elas sejam presas firmemente na bancada. Não fure os orifícios correspondentes ao encaixe inferior dos parafusos, já que estes servirão também como roscas para os parafusos. Faça apenas os furos superiores, e depois marque o local de furação na chapa inferior usando o gabarito do furo superior. Os desenhos de fabricação das placas pode ser visto aqui. Veja que os desenhos apresentam uma aba na base para fixação no perfil do topo. Esta aba é necessária se a espessura da chapa for muito fina, mas pode ser dispensada para espessuras acima de 1,5 mm (eu usei 1,5 mm e não fiz a aba). As fotos abaixo mostram os dois perfis, base e topo, já dobrados, à esquerda, e encaixados, à direita.

   

       O Reverber possui uma caixa especial, porque o tanque é relativamente grande. Além disso, não é conveniente deixar o tanque no piso, como os demais pedais, porque ele pode captar vibrações e gerar ruído. Assim evitei estes problemas fazendo uma caixa especial, com acionamento manual e não mais por meio de pedal. O modelo para a caixa do Reverber pode ser visto no arquivo apresentado aqui. Comprei um tanque da Accutronics modelo 8DB2C1D na Mult Comercial por cerca de 120 reais (pode ser importado por menos de 30 dólares na Ampwares). A foto abaixo apresenta o tanque já montado na caixa aberta, com eletrônica integrada.



        Alguns pedais podem exigir uma caixa maior, em virtude do tamanho da placa de circuito impresso. Neste caso basta ampliar a largura do pedal, como mostrado na foto abaixo (Slow Gear), para acomodar tamanhos variados de circuitos.



       Os pedais são alimentados com bateria de 9 Volts, e, para tanto, torna-se recomendável que haja um suporte para prender a bateria à caixa. Infelizmente não consegui encontrar suportes já prontos, e tive que construí-los um a um, em folha de alumínio de pequena espessura. O desenho destes suportes é mostrado junto com o desenho das caixas. Eles são fixados à caixa junto com a chave DPDT (veja foto abaixo).



       Não se esqueça de fazer os furos finais na chapa inferior para a fixação das duas partes, usando para isso uma broca de diâmetro pouco menor do que o parafuso auto-atarrachante. Faça as roscas no alumínio usando para isso o próprio parafuso (é um pouco difícil, eu sei, mas esta é a forma mais fácil).

A Montagem

     
        Assim que tiver montado sua primeira placa, com todos os componentes, faça uma ligação provisória com os plugues de entrada e saída, alimentação e potenciômetros, e teste-a antes de fixá-la à caixa. É necessário, agora, definir qual o tipo de ligação que será adotada. A chave DPDT é um botão com duas chaves seletoras com contactos NF e NA. O problema é que, em geral, deseja-se efetuar 3 ligações, que exigem 3 chaves: uma para selecionar o "by-pass" (que seleciona se o pedal será ou não utilizado), uma chave para aterrar a entrada do circuito durante o by-pass (assim não se ouve um estalo no amplificador quando a chave é comutada), e, finalmente, uma chave para ligar um led que indica se o pedal está ativado ou não (by-pass). Veja que não há uma chave destinada a ligar o circuito eletrônico quando for utilizado e desligá-lo durante o by-pass. Assim o circuito permanece ligado enquanto houver alimentação. O motivo disso é que alguns pedais apresentam um desempenho diferente no instante em que é ligado, devido à carga, por vezes lenta, dos capacitores. Portanto o melhor a fazer é deixá-los ligados o tempo todo. Neste caso, ou utiliza-se uma chave 3PDT ou então se seleciona duas das 3 ligações necessárias. O by-pass é fundamental, e não pode ser descartado. Sobra, portanto, optar por aterrar o circuito ou ter um led indicativo. Eu optei por aterrar o circuito, porque, caso contrário, o circuito seria excitado mesmo durante o by-pass, o que provoca um consumo maior da bateria. Haveria ainda o risco de, ao se selecionar o pedal, o sinal ainda presente no circuito ser enviado ao amplificador, mesmo que o sinal de entrada esteja mudo, no caso de haver realimentação interna. Este esquema é conhecido como True Bypass com aterramento na entrada do circuito. Embora o led (importantíssimo) tenha sido descartado, eu instalei um led em todos os pedais, que acende sempre que o circuito é alimentado, ou seja, ele não indica o by-pass, mas somente a alimentação. Uma alternativa para compensar este problema é o Millenium Bypass, composto por transistor Darlington ou JFET que ativa um led na presença de qualquer sinal na saída do circuito. Instalei também uma entrada para alimentação externa, não mostrada no diagrama do True Bypass. A conexão com a alimentação externa pode ser vista em qualquer diagrama contendo uma chave 3PDT, como por exemplo no pedal Tube Screamer,
com as devidas alterações para acomodar uma chave DPDT em True Bypass com aterramento da entrada.

       Se o circuito não apresentar sinal na saída ou se o sinal estiver ruidoso ou diferente daquele esperado, verifique as ligações, conexões e nível dos potenciômetros. Certifique-se que todas as ligações estão de acordo com o projeto. Somente após este teste pode-se iniciar a montagem do circuito na caixa. É necessário haver um separador entre o circuito impresso e o chassi, caso contrário pode haver curto-circuito. Eu utilizei uma placa de borracha antiderrapante própria para pisos. Esta mesma borracha foi usada para revestir a base do pedal, para evitar o escorregamento em pisos lisos. Ela foi fixada com cola quente, aplicada diretamente ao chassi aquecido na chama de um fogão. A figura abaixo ilustra a base do pedal com a borracha, embora seja difícil distinguí-la abaixo do circuito impresso. A propósito, o circuito impresso foi também fixado com cola quente, mas pequenos parafusos rosqueados na própria borracha garantem uma melhor fixação.



       Para cada pedal serão necessários:
       O soquete fêmea deve ser de plástico porque a alimentação externa requer que a tensão positiva seja na camada externa do conector (que nos soquetes metálicos é conectada ao próprio soquete), e os pedais requerem aterramento no chassi.  O led deve ser alimentado pela bateria e conectado à terra do circuito. Veja que o circuito é ligado ao se conectar o plugue da guitarra no jack de entrada, forçando o aterramento da fonte com o chassi e com o circuito. Deve-se conectar o led em série com uma resistência de 1 kOhm, para limitar a corrente a um valor pequeno, sem comprometer a duração da bateria.

       Os potenciômetros, a chave DPDT e os dois jacks podem ser montados fora da caixa. Devido ao tipo de fixação do soquete do led e do soquete para alimentação externa, eles só podem ser montados na própria caixa. Após efetuar todas as ligações, cole os fios com cola quente ao chassi, para impedir que vibrem.
A seguir feche a caixa com os parafusos, e teste-a novamente. Se tudo correu bem, o seu Tube Screamer deve ser semelhante ao meu, mostrado abaixo.

      

        Eu usei um gerador de tensão negativa no Reverber Stage Center. O layout do circuito para o gerador, denominado de "charge pump", pode também ser encontrado no projeto do Stage Center da General Guitar Gadjets. Ele pode ser visto à esquerda na imagem abaixo, que mostra o Reverber já montado.



O Painel

       Bem, novamente eu vou ficar devendo como fazer um painel para os pedais, já que eu não tenho uma pistola de pintura para fazer isso. Recomendo uma visita a CommonSound Kits, que ensina não apenas como fazer vários pedais de efeitos, mas também como pintá-los. Para simplificar eu apliquei um papel impresso ao chassi com fita adesiva. Não ficou muito bom, mas vai quebrar um galho até que eu consiga uma pistola de pintura.

Quanto custa?

       O custo de cada pedal depende do material utilizado, mas dá para fazer uma estimativa:

Item (para cada pedal)
Preço (em Reais)
1 m de fios de várias cores. 2,00
Componentes elétricos (capacitores, resistores, transistores, diodos e CI's)
10,00 a 30,00
Um jack para guitarra estéreo com contacto NF. 3,00
Um jack mono para guitarra 2,00
3 Potenciômetros
10,00
Um rabicho para a bateria 2,00
Um led com base rosqueada para led (cromada ou não) 3,00
Uma placa de circuito impresso + cópia xerox +
percloreto de ferro (preparada manualmente)
15,00
chapa de alumínio para caixa (custo aproximado por caixa)
5,00
Uma chave DPDT 4,00
Um soquete fêmea para alimentação externa com base de plástico 4,00
3 botões para os potenciômetros 6,00
4 parafusos auto-atarrachantes para a caixa. 0,50
Material de consumo (solda, cola quente) 2,00
Total
68,50 a 88,50

Ferramentas necessárias:
        Se depois de tudo isto ainda sobrar dúvidas, então mande uma mensagem para mim. O endereço encontra-se na página principal.

Valdemir Carrara

Atualizado em 23/05/2007

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